Pular para o conteúdo principal

Uma pessoa pode sentir-se sozinha quando está longe de suas pessoas queridas, quando não tem (ou pensa que não tem) amigos, pessoas que a entendam, lhe deem carinho, atenção, quando termina um relacionamento afetivo, perde um ente querido... São muitas as possibilidades que trazem o sentimento de solidão.

Mas, a pior solidão que alguém pode sentir é a de não ter a si, estar distante de seu interior, de sua verdade, não saber quem é. Quando não sabemos de verdade o que somos, o que queremos, nos sentimos perdidos e sozinhos. Ora, nem nós mesmos nos conhecemos, por conseguinte, não conseguimos saber ao certo o que somos e queremos, não somos companheiros de verdade da gente. Não agimos seguindo decisões e desejos autênticos, somos levados pela opinião dos outros, pela vida ou por valores que estão dentro de nós mas que aí se instalaram vindo de fora, com nossa permissão, claro, mesmo que inconsciente, mas não representam nosso eu verdadeiro.

Alguém nesse estado pode estar rodeado de gente que a ame, dê apoio, compreensão, mas mesmo assim estará se sentindo só, muito, desesperadamente até. Uma solidão que nada que vem de fora pode aplacar de verdade se algo não for feito pela própria pessoa que se sente solitária.

É muito ruim olharmos para dentro de nós e encontrarmos ideias confusas, valores duvidosos, falta de autoconfiança criada por mensagens incorporadas vida afora e pelo não conhecimento de nossa real identidade. Se eu não sei quem sou verdadeiramente, não me conheço, não sei me ajudar, me acompanhar, me amar.

Essa profunda solidão, da ausência do eu verdadeiro, provoca imensa instabilidade e dor. Muitos distúrbios afetivos podem daí advir, como a depressão, por exemplo. Quem passa ou passou por isso sabe como é duro viver nessa condição. E às vezes nem todo o apoio externo a suaviza.

O caminho para resolver essa solidão interior é voltar-se para dentro, cada um em seu tempo, de seu jeito, às vezes procurando a orientação de alguém habilitado, e tentar resgatar seu eu autêntico, suas vontades, preceitos, qualidades e aptidões que podem estar esquecidos lá no fundo, encobertos por toneladas de elementos errôneos, pensamentos exteriores de qualidade duvidosa e mensagens negativas que se permitiu que estacionassem no íntimo do ser.

Esse trabalho de autoconhecimento e redescoberta, de resgate do eu verdadeiro, nos aproxima mais de nós mesmos, de nossa verdade. Vamos nos achando de novo, percebendo o que temos feito que está ou não de acordo com o que realmente queremos e precisamos. Esse resgate, invariavelmente, faz com que reconheçamos nossas verdadeiras qualidades, limites também (e esses concluímos se podem e devem ser superados, quando e como). Vamos limpando o interior do que não é nosso e percebendo o que de bom temos, vamos reaprendendo a nos gostar.

Assim, começamos a nos nortear novamente na existência, mais seguros, mais senhores e companheiros de nós, mais centrados, com mais autorrespeito, autovalorização. Nos amando e conhecendo mais, sabendo pelo que queremos lutar sinceramente; temos para onde olhar quando procuramos respostas e referências: dentro da gente. Somos uma grande companhia e amizade para nós mesmos, não estamos mais sós. Quando tenho a mim, sinceramente, não me sinto só nem desorientado, Posso ficar confuso às vezes, mas sei como parar, refletir e encontrar o rumo novamente.

Não me sentindo mais só, com falta de mim, posso perceber melhor a vida (e aprender melhor com a leitura que faço dela), seus acontecimentos, as pessoas a meu lado e o que têm de bom a me oferecer. Fico cada vez mais aberto e firme, melhor para viver minha relação comigo e as relações interpessoais de todos os tipos (profissionais, familiares, afetivas, etc.). Fico cada vez mais distante da solidão.

(Marcus Facciollo)
(Portal da Psique)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dia dos namorados sozinho?

Ah, é claro que eu fico triste, talvez até mais do que deveria ficar, porque se eu pensar nas experiências do passado, eu estou bem até. Mas sabe, tem certas horas que eu sinto vontade de ter alguém e não estou dizendo isso só porque é o dia dos namorados e eu não tenho alguém.  Eu estou dizendo isso, porque faz bem viver a dois, ter alguém para um abraço quente, um beijo demorado, um boa noite e um bom dia querendo saber se eu dormi bem.  Chega uma hora que perde a graça sair, conhecer alguém e ver que ali você não pode depositar expectativas porque depois de três ou quatro palavras, você percebe que mais vazia do que a sua vida sentimental, é a cabeça dessas pessoas quem vão para a noite só querendo preencher a sua cota de beijar quem puder.  Chega uma hora que você se olha no espelho e se pergunta: será que não chegou a hora de me permitir e conhecer alguém legal? Que tire esse medo que ficou estacionado em mim, achando que todo mundo vai ser como a minha última péssima experiência?  A…

BORA DESABAFAR...

Em frente a tantas coisas que a vida vai nos levando a viver, chegam determinados momentos que é quase que impossível continuar... sentimos como se o mundo fosse tirado do nosso chão e com isso obrigados a caminhar mesmo sem ter forças e/ou querer... Este ano tenho experimentado viver o silêncio diante das inúmeras situações que têm se apresentado em minha vida, aos inúmeros problemas e dificuldades e as coisas que se encontravam ocultas tem se tornado claras...  Talvez tudo isso seja eu enxergando a vida com um olhar maduro, onde posso limitar-me a apenas observar, rezar e, acima de tudo, SILENCIAR... Hoje tive um momento com Deus e nesse meu momento com Ele exigi, que Ele me fosse sincero e claro, que tudo que ainda se encontrasse oculto que eu precisasse saber que se pusesse às claras... Trinta minutos após meu diálogo com Deus, recebo sem muito esforço o que precisava saber... e isso já era algo que vem há dias... apenas pude perceber que só Deus é sincero com a gente, que expõe o que…
O passado me ensinou que as pessoas não somem, perdem o interesse. 
O passado me ensinou a não acreditar em um “Estou com saudade” se não vier acompanhado de um “Como faço para te ver?”. 
O passado me ensinou a não me preocupar com coisas que só o tempo pode resolver. 
O passado me ensinou que não tem como um relacionamento dar certo se o orgulho for maior que o próprio sentimento.


siga no Instagram